Farmácia

Biologia

Farmacotécnica

Química

Biofísica

Antagonistas do Parassimpático

Também podem ser chamados de:

- Antagonistas colinérgicos;
- Antagonistas muscarínicos;
- Parassimpatolíticos.




Antagonista do Parassimpático


* Os principais fármacos antagonistas do parassimpático são:

Atropina, escopolamina, ipatrópio, biperideno, pirenzepina, telenzepina.


A escopolamina tem um enantiômero chamado de hioscina, que a imagem da sua estrutura no espelho, a qual não se sobrepõem.
A hioscina é o enantiômero levogiro, chamada então de l-hioscina e a escopolamina é o enantiômero dextrogiro. 


* Mecanismo de ação:

Antagonistas muscarínicos, ou seja, antagonizam os efeitos que o muscarínico ativado causaria.


São todos competitivos (atropina, escopolamina, ipatrópio, biperideno, telenzepina, pirenzepina), competem pela ligação aos receptores muscarínicos com a Ach.


* Uso Clínico:


- Para tratamento de
Infarto:


Muito utilizado a atropina. Ela pode bloquear os muscarínicos cardíacos não permitindo sua ativação pela acetilcolina, fazendo com que a frequência cardíaca possa aumentar.

No infarto isso é importante, pois tendo áreas do miocárdio infartadas (necrose, por falta de sangue, levado pelas artérias coronárias e consequente falta de oxigenação), faz com que o coração tenha que estar constantemente fazendo mais esforço com as células restantes para bombear o sangue.
Até o momento que ele entra em fibrilação (arritmia crônica onde a frequência pode chegar até 600 batimentos por minuto e acaba que só alguns desses 600 batimentos por minutos provocam a contração dos ventrículos) o débito cardíaco aumenta.

Com esse aumento do débito cardíaco em pessoas infartadas, há uma compensação fisiológica, onde o parassimpático tentando converter o efeito, faz uma elevada liberação de Ach que causa tanta diminuição do débito cardíaco que o coração para.
Portanto para evitar essa parada cardíaca a atropina é administrada, em doses mais altas do que normalmente, cerca de 1 mg, que faz ela conseguir bloquear os receptores M2.


Outra ação da atropina ainda não completamente esclarecida:
Em doses baixas, menores do que 1 mg, a atropina causa bradicardia, pois acredita-se que a atropina consegue inibir os receptores muscarínicos neurais, o M1.
Quando ela bloqueia o M1 que fica nos neurônios inibitórios pré-juncionais, esses neurônios inibitórios ficam inibidos, não impedindo a liberação de Ach (normalmente provocam uma baixa na liberação de Ach, buscando que ela permaneça em equilíbrio).
Assim, sem o efeito inibidor desses neurônios a Ach pode ser liberada, provocando uma maior bradicardia.



- Tratamento de cólica e diarreia:

A dor que a cólica causa é provocada pela contração do músculo liso.

É muito utilizada a escopolamina porque relaxa a musculatura lisa.

A escopolamina bloqueia os receptores muscarínicos da musculatura lisa, os M3.
Impedindo assim que sejam ativados pela Ach e exerção seu efeito de contração.

Normalmente esse fármaco pode vir junto com um outro fármaco analgésico, como o paracetamol (como é o caso do Buscopan Plus).

* O analgésico retira a dor, ele impede a disseminação do estímulo e portanto não gera dor. Como o caso:
Dipirona: Porém além da ação analgésica também tem ação no sistema nervoso central, ocorrendo queda da pressão.
Paracetamol: Não abaixa a pressão.


Então a escopolamina, como um antagonista muscarínico, somente impede a contração do músculo liso, impedindo o motivo que está causando o estímulo de dor.
Não somente como analgésicos que só impedem o estímulo, sem interferir no porque ele foi gerado.


- Tratamento da Asma:

Muito utilizado o ipatrópio.

A asma é causada pela broncoconstrição que impede a passagem de ar.
A Ach provoca broncoespasmo que é a contração da musculatura lisa do pulmão.

Com a administração do ipatrópio, ele bloqueia o M3, não deixando ocorrer broncoconstrição pela estimulação do parassimpático na musculatura lisa das vias aéreas.

Sendo assim se sobressai a ação do simpático na liberação de noradrenalina que é agonista do receptor Beta 2, que é o presente no pulmão, que causará broncodilatação.
Então o ipatrópio é um broncodilatador indireto e o fenoterol é um broncodilatador direto, pois o fenoterol age como agonista do beta 2, se ligando e ativando-o.



* Efeitos Colaterais:

- Taquicardia: Porque impede a diminuição do débito cardíaco que é causado pelo parassimpático liberando Ach que ativa os M2 do coração.

Porém como os antagonistas muscarínicos vão estar presentes competindo e ocupando o espaço da Ach, o efeito do simpático irá sobressair, não havendo diminuição da frequência cardíaca, só aumento.


- Boca e pele secas: Pois a liberação de secreções não será estimulada a acontecer, pois os M3 que ficam nas glândulas poderão ser bloqueados impedindo a Ach de agir sobre eles e estimular essas glândulas.


- Aumento da temperatura corpórea: Devido ao déficit na diminuição de calor, pois o suor estará diminuído e ele é o principal meio de dissipação de calor.


- Constipação Intestinal: Prisão de ventre, onde há dificuldade de evacuação. Não liberando as fezes elas se tornam ressecadas, dificultando ainda mais sua eliminação.

Causado pela diminuição da contração da musculatura lisa do intestino, diminuição do peristaltismo.
Ocorre pelo bloqueio dos receptores M3, impedindo sua ativação pela Ach e estímulo dessas células musculares.


- Retenção urinária: Ocorre pelo relaxamento da musculatura da bexiga.

Que tem sua contração diminuída por falta de estimulação de Ach nos M3, pelo parassimpático, já que os M3 estão inibidos.


- Visão turva para perto: Pois o antagonista bloqueia o M3 das células dos olhos, impedindo sua ativação pela Ach e consequente diminuição da pressão intraocular para que então a visão possa se ajustar para perto.









0 comentários:

Postar um comentário